Casa de arquiteto: assista à segunda temporada no YouTube

Nosso propósito é conectar quem faz e quem admira. É esse o sentimento que imprimimos na série Casa de Arquiteto. A primeira temporada foi um grande sucesso e, agora, estamos entusiasmados e muito felizes em lançar a segunda temporada.

A gente acredita que, encurtando distâncias e aproximando as pessoas, valorizamos ainda mais a arquitetura de nosso estado. Através do design, somos capazes de semear a beleza, e a beleza tem um poder transformador. Esperamos que você goste da novidade e se inspire, assim com nós.

CAP #01: MAURICIO CEOLIN, AT ARQUITETURA

Eu sou do interior e sempre tive muita conexão com desenho, artes, música, mas lá profissões assim não faziam parte do repertório de um jovem. Na época do vestibular, reuni todas as habilidades e entrei na arquitetura. Para minha sorte, era bastante diferente do que eu imaginava. 

Quando eu olho para o meu espaço, vejo que ele tem verdade. Na minha casa eu ponho em prática coisas em que eu acredito, do jeito que eu acredito. A liberdade nos permite um pouco mais de ousadia e acaba sendo um grande lugar de teste. 

Se tem algo que diferencia o brasileiro é a adaptabilidade. Casas brasileiras precisam encorpar essa característica para acompanhar a vida plural e intensa da nossa gente. Se relacionar com o entorno também, oferecer beleza para que mora ou só passa na frente. 

CAP #02: NATASHA VONTOBEL, TELLINI VONTOBEL

A arquitetura começou na minha vida quando eu nasci. Literalmente. O escritório já vem de três gerações, minha vó é engenheira, minha mãe  arquiteta, então desde pequena eu já passeava pelos canteiros de obras e imaginava uma carreira assim.

Pela prática e vontade de descobrir, minha casa é um lugar singular. Vou cansando, vou trocando, e tudo muda completamente. Um projeto formal não oferece tanta margem pra mudar o tempo todo, então eu transfiro essa energia para o meu ambiente, e isso traz segurança. 

Eu sou a maníaca do mobiliário brasileiro. Garimpo, estudo, só consumo peças que tem um apelo forte e reafirmam nossa identidade. Isso não pode faltar em casas brasileiras, definitivamente. Se posto em melodia, é a bossa nova! 

CAP #03: ANA COLNAGHI, STUDIO COLNAGHI

É difícil dividir arquitetura com o resto da vida. Um arquiteto está sempre observando, absorvendo… Acredito que observando minha família acabei absorvendo esse interesse. Meu pai dividia comigo a rotina do escritório e os papeis, canetas e lápis estimulavam a criança em mim. 

Meu apartamento é um laboratório. A casa de família virou um também. Já experimentei neles muitas ideias e materiais, pra entender como se comportam, como se desenvolvem. E em ambos, tenho reservado mais espaço para o acaso, uma margem pra mudar com o tempo. 

Aconchego é a essência de uma casa brasileira e arrisco dizer que é a madeira que traz esse elemento vivo, essa naturalidade. Somos artesanais, manuais, gostamos do envolvimento pessoal e é assim que mantemos viva nossa essência dentro de casa. 

CAP #04 SABRINA HENNEMANN, STUDIO COLNAGHI

A arquitetura não é nem um pouco monótona. Pelo contrário, ela é dinâmica, permite conciliar um pensamento técnico minucioso e uma abordagem emocional. Desde jovem, eu observava familiares combinando agilidade e criatividade e a curiosidade aguçada virou profissão. 

Isso é também uma das características que mais curto em meu apartamento: saio da zona de conforto para experimentar técnica e sentimento. Combinações que quero testar na prática e observar como se comportam na luz, com o passar do tempo. 

Acho que a casa brasileira é muito representada pela combinação de texturas, principalmente as naturais. Em diferentes volumes e repetições, podemos criar combinações infinitas e propor espaços atemporais, onde o elemento dispensa ornamentos e eleva a arquitetura.

CAP #05 ANA CASTAGNA, 0E1

Na hora de brincar, eu gostava mesmo era de montar  todo o circo e normalmente já estava cansada quando a casinha ficava pronta. Gostava de analisar plantas, compreender os espaços e acredito que a arquitetura foi chegando em minha vida assim, aos poucos. 

Em minha casa não falta coragem, é isso que define uma casa de arquiteto. Em nossas próprias paredes, nós testamos, subvertemos o padrão e entendemos como as coisas envelhecem. Uma casa de arquiteto envelhece bem. 

Quando tento resumir o que define uma casa brasileira, sinto que nossa alegria é interpretada com muita cor, e isso transparece em ambientes multi-coloridos. A madeira, a vegetação, definitivamente tem um papel importante, que a cor costura.  

CAP #06 INGRID STEMMER, STEMMER RODRIGUES

Posso voltar nas memórias da infância e lembrar do impacto que os espaços tinham sobre mim. Na quarta série, a professora apresentou o conceito de plantas baixas e a ideia da casa vista de cima me fascinou. A partir daí, bastava entrar em um lugar para querer melhorá-lo. 

Minha própria casa é uma eterna mutante. Na verdade, compramos um generoso flamboyant para morar embaixo e vamos mudando nosso lar conforme novos projetos provocam nossa visão. Brinco que o chão já foi trocado tantas vezes e tantos papéis ou texturas já foram testados que, se acontecer uma escavação aqui, vai parecer Pompéia. 

Imersos em uma flora abundante, quase nos acostumamos à conexão que as casas brasileiras tem com a natureza. Anos atrás, recebemos intercambistas em casa e o impacto da vegetação neles foi surpreendente, ficavam horas contemplando o jardim. 

CAP #07 IZABELA PAGANI, IZABELA PAGANI ARQ

Meus pais são paisagistas e cresci vendo o trabalho deles transformar o entorno da arquitetura. Acabou sendo natural que eu seguisse esse caminho, mas enquanto eles olhavam atentos para o exterior, resolvi direcionar minha carreira para os interiores. Das casas e das pessoas. 

Como profissionais, nós buscamos como ninguém conhecer a origem, o conceito e o desenvolvimento de cada peça. É isso que faz com que a gente se apaixone por elas. Minha casa é assim, uma coletânea que eu admiro. Não trocaria meu apartamento por nada. 

É na varanda que me conecto com a identidade de uma casa brasileira. Falamos de tropicalismo, estamos inseridos em uma cultura próxima da natureza, por isso a vegetação é, para mim, o que sintetiza nossos espaços. Na varanda de casa, em meio ao verde, eu me encontro. 

CAP #08 JOÃO PEDRO CRESCENTE, AMBIDESTRO

Eu não me imagino fazendo outra coisa, desde que me conheço por gente repetia que queria ser arquiteto. Sempre fui uma pessoa observadora, amante das plantas baixas, do conceito abstrato do espaço antes dele ganhar forma. Manipular isso é minha paixão. 

Aqui em casa, vivo experimentando. Testo possibilidades que, depois, vou indicar. Minha casa ainda está em desenvolvimento, talvez sempre estará, mas sinto que a experiência mais gostosa é a gente ter a casa inteira como o espaço favorito, oportunizando diferentes sensações. 

Nossos lares são diversos, tem de tudo, mas em equilíbrio. Essa é uma característica das casas brasileiras. Elas prezam pelo conforto, pela amplitude, sem abrir mão da funcionalidade e da praticidade. Tudo fala em um tom mais baixo, e a conversa é agradável. 

CAP #09 LUCAS MARQUES, MAPA

É muito difícil dissociar arquitetura da minha história pessoal. Meu avô foi arquiteto, meus pais são arquitetos, tios, primos… sempre vivi imerso nesse mundo. Por natureza, a arquitetura tem um âmbito cultural e estético que permeia tudo que fazemos, é mais que uma profissão.

Às vezes, a casa de um arquiteto é uma espécie de expressão das pequenas coisas que constituem seu senso estético ou ideologia. Gostamos muito de colecionar, de tudo um pouco. E aqui olhamos pro passado, mas carregamos isso no desenho de nosso futuro. 

Temos uma relação muito honesta com a natureza, com o entorno. Nossas casas tem varandas, modernas ou contemporâneas. Temos espaços ventilados, apreciamos a iluminação natural, a organicidade. Estes são, para mim, elementos da sintaxe cultural brasileira. 

CAP #10 LUCIANO TESTON, STUDIO TESTON

Minha primeira opção era artes plásticas, mas quando entrei na arquitetura me apaixonei pela relação da especialidade, do vazio e do cheio. Arquitetura e arte caminham juntas, o vazio do desenho é o espaço que percorremos, que nos apossamos no projeto. 

Arquitetura é uma relação de fazer para o outro, então, na minha própria casa, ouso fazer para mim. É um espaço mutante, não um lugar estanque. Está em movimento e é bom frisar que nem sempre a casa de um arquiteto é a arquitetura que ele faz para o cliente. 

Aqui sempre tem café. Alegria e aconchego também, isso é a casa brasileira. Tem que ter natureza, mas acredito que não sejamos isolados a determinados clichês. Ver fronteiras como permeáveis e a brasilidade como algo do mundo abre horizontes. 

CAP #11 MARCELO SEFERIN, SEFERIN ARQUITETURA

Meu pai sempre foi muito atento à construção dos projetos, mesmo sendo médico, tanto na área da saúde quanto nos lugares pessoais da família. Acho que a vontade pela profissão nasceu, ainda que indiretamente, dessa observação, da admiração pelo lugar que planejávamos. 

Qualquer lugar se diferencia pela forma como a história das pessoas é representada, por isso não penso que a casa de um arquiteto seja muito diferente da casa de qualquer outra pessoa. Inclusive, já absorvi referências que os clientes trouxeram e hoje compõe meu lar. 

A casa brasileira tem, necessariamente, um vínculo com a área externa. Trazemos para dentro materiais típicos lá de fora, nos conectamos com a vegetação e transgredimos um pouco os limites. Isso representa muito nossa identidade. 

CAP #12 CAMILA SANGUINÉ, HB INTERIORES

Minha mãe sempre se dedicou muito à família e desde cedo eu acompanhei ela nas tarefas. Puxei dela esse gosto por cuidar da casa, do jardim, então acredito que essa influência veio da vivência que compartilhamos. Sobretudo com interiores, que é onde atuo hoje.

Sempre que estou usando a casa, minha própria casa, eu gosto de compreender detalhadamente cada experiência. Nas tarefas mais rotineiras, observo como as pessoas absorvem o momento, como o cotidiano se traduz em praticidade. A soma disso resulta no meu trabalho. 

O Brasil é um país regional, mas focando no ambiente que nos cerca, que é frio e tem estações bem marcadas, não pode faltar aconchego. A madeira cumpre esse papel, com cores e texturas muito ricas, em revestimentos, mobiliário, acabamentos. Não pode faltar. 

CAP #13 NIVIA VITTORE, NV ARQUITETURA

Eu não brincava de casinha de um jeito normal. Nos fundos de casa havia uma tecelagem e eu lembro de pular o muro para trazer lenhas, vassouras e peças para formar minha própria planta baixa. Era real, tinha janela, porta, cama e mesa… só podia dar em arquitetura. 

Gosto de quebrar a rigidez e organizar os ambientes de uma forma distinta na minha própria casa. Tem bons móveis, tem peças de design, mas a intenção de acolher bem e mudar, evoluir com a família, é sempre maior. 

Nossa sala familiar acontece ao redor do fogo, seja na lareira, churrasqueira ou fogão a lenha. Em diferentes abordagens, com variadas interpretações, considero que essa relação com o calor, com o alimento, é algo muito típico de nossas moradias. 

CAP #14 EMILIA RIEGEL, NV ARQUITETURA

A arquitetura foi uma feliz casualidade. No tempo do vestibular, antes até da internet, eu li um livro de profissões e vi descrito nas atividades de um arquiteto tudo que eu mais gostava de fazer. Eu adorava criatividade como exercício e acabou se tornando uma escolha óbvia. 

Sempre brinco que esse negócio de ‘em casa de ferreiro o espeto é de pau’ não está certo. O arquiteto precisa demonstrar amor pela casa e no meu cantinho é onde essa relação de afeto começa. Me cerco de tudo que tem a ver comigo, que conversam com minha identidade. 

O que não pode faltar em uma casa brasileira? Luz! Ela destaca, acolhe, revela… a luz natural traz energia pra um espaço e não pode faltar no nossos projetos. 

CAP #15 CADU MAYRESSE, MAYRESSE ARQUITETURA

Sempre fui ligado à música, gostei de coisas relacionadas a desenho e criatividade. A parte engraçada dessa história é que nosso padrinho era arquiteto e eu comecei a entrar nesse mundo. Foi uma descoberta legal, eu cheguei na arquitetura como um escape da vida.

Algo que nunca abro mão são as obras de artes. Compramos quadros, fotos e coisas relacionadas à arte e estamos sempre procurando um cantinho pra ser preenchido com a arte. Isso faz muita diferença

O canto especial da casa é a junção de salas, que tem um pouco da nossa cara como casal, com um grande aquário, som, plantas. Isso faz nosso coração da casa.

Sou aficionado por objetos, cachorros, obras de arte, que sempre buscamos agregar quando fazemos algumas viagens. E tênis! Quando viajo já penso em qual tênis vou trazer para compor a coleção.

A casa brasileira tem que ter varanda. Aqui não temos especificamente uma aberta, mas criamos uma através da arquitetura. Aproximamos o estar da janela, trouxemos a vegetação pra dentro. Acho que essa característica da casa brasileira é uma coisa legal, que uso 99% dos projetos que faço. Um toquezinho de concreto e madeira também não faz mal a ninguém.

CAP #16 FERNANDA BASSO, STUDIO FERNANDA BASSO

A arquitetura sempre esteve presente na minha vida. Meus pais são artistas. Mesmo não sendo da área, eles construíram a primeira casa a partir das experiências em viagens e visitas. Certamente eu tenho muita influência dessa imagem da casa da infância, desse gosto por materiais brutos e elementos in natura.

Quando morei no sul da Espanha, tive contato com a arquitetura islâmica e me apaixonei de novo pela área. A região tem muita influência dos Mouros, com uma arquitetura cheia de detalhes. Foi aí que percebi que ela poderia ser um meio de comunicação entre o lugar e o homem. Uma poesia entre o meio e a pessoa. 

Tenho a herança de um avô marceneiro, que não cheguei a conhecer, mas com certeza carrego um pouco dele em mim. Gosto de desenhar peças, fazer coisas exclusivas. Claro que cada projeto é único, mas gosto de tornar especial de verdade para cada pessoa que a gente projeta.

A casa do arquiteto pode ser um pouco diferente na disposição, mas o que se destaca de fato é o estilo de vida. Aqui em casa é um laboratório, até por ter sido um dos primeiros projetos do estúdio. Tem mobiliário de ferro, de concreto, pinturas exóticas, iluminação aparente. Tudo foi testado aqui e replicado. Dos resultados bacanas, o principal é a memória que isso traz.

Gosto de ficar na poltrona, lendo livro, com minha cachorrinha, a Guapa. Ela fica do lado da estante, que tem toda nossa história. Quando estou naquele cantinho gosto de olhar, porque isso traz memórias. É uma forma muito gostosa de desenvolver o ambiente, de pensar como o usuário vai se sentir no espaço pensado para ele. 

A casa brasileira tem que ter vida, natureza, cores e diversidade. De norte a sul temos culturas diferentes e os arquitetos precisam ter essa mistura.

CAP #17 CÁSSIA KROEFF, STUDIO CÁSSIA KROEFF

Quando criança, eu brincava muito de montar casinha com peças em madeira. Hoje eu vejo que aquela criança, que imaginava um mundo, se tornou trabalho sério. Ali eu já estava construindo o meu futuro. 

Nas nossas casas, temos a liberdade de experimentar o novo. Para o cliente isso é importante, se ele não enxerga, tem medo. Um arquiteto não tem medo porque sempre enxerga o “antes” na imaginação. 

No meu apartamento de praia, trouxe uma proposta totalmente diferente do que a gente pensa sobre um projeto neste lugar. Ele não precisa seguir aquele padrão que todo mundo pensa. Pode ser monocromático e aconchegante. Ele serve para receber, unificando sala e cozinha. É o ambiente que mais momentos felizes nos traz. 

A luminária italiana Zeppelin é a minha preferida. O projeto é pensado a partir dela. Fico grata por usar peças assinadas, que carregam histórias, e me sinto orgulhosa em vê-las no mundo inteiro. Poder usar e prestigiar o mobiliário brasileiro é muito legal.

A casa brasileira precisa ter esse astral aconchegante, por mais minimalista que seja. Ela tem que ter esse jeito feliz, de dar e receber, que é o jeito do brasileiro.

CAP #18 EDU FELIN, PROJETE BEM

Meu pai é arquiteto e sempre tive influência dele. Acompanhei muitas obras. Eu estudava de manhã e à tarde ficava no escritório desenhando. Quando chegou a hora de escolher a faculdade, já estava bem tensionado para este lado.

Como toda casa, a minha é focada na necessidade da família. A diferença que vejo na aqui é o experimento que faço, e depois levo para clientes. Um exemplo é a parte de engenharia: não tem pilar na casa, criando soluções mais complexas. Churrasqueiras também, vou aprimorando em cada casa porque amo churrasco.

Uma das peças que tenho em casa e acabei me afeiçoando é a bandeira do Brasil, antiga, estonada, que comprei há muito tempo e sempre pensei que, quando tivesse a minha casa, teria ela aqui. Outra é um quadro da minha tia, que faleceu há pouco tempo, e ficou pra mim. Comprei junto com ela quando ajudei a arrumar sua casa.

Meu ambiente favorito é o living que fica junto ao deck, que dá ao jardim e conta com lareira externa e acesso para piscina. Como é uma casa de praia, buscamos fazer essa ligação entre interno e externo.

A casa brasileira tem bastante integração e é ampla, com materiais rústicos. E a churrasqueira como centro da casa!

CAP #19 FELIPE GARGIONI, GARGIONI ARQUITETOS

A arquitetura chegou na minha vida pra resolver um problema. Eu fazia administração com ênfase em análise de sistemas e estava desgostoso com o curso. Recebi a dica de amigos, porque havia organizado uma festa e decorado ela. Me inscrevi no vestibular de arquitetura para ganhar tempo, acabei passando, mas não tinha me identificado ainda. Dentro do curso já assinava alguns projetos para amigos e parentes, foi só então que o bichinho da arquitetura me mordeu e eu não parei mais.

A minha casa foi se transformando comigo, como arquiteto, com meus gostos. Isso me faz ter uma casa mutante. Hoje você vem e ela tá de um jeito, semana que vem ela pode estar de outro. Acho que a casa do arquiteto é isso, algo mutante. Eu experimento bastante aqui em casa, mas não levo para os projetos. Deixo bem aqui, porque temos uma mente muito inventiva, mas são os projetos que apresentam as próprias soluções: cores, layout, plantas e luz. Isso é muito particular de cada projeto. 

Na verdade, meu ambiente preferido é toda a casa. Gosto muito da cozinha, de preparar algo, beber. Acho que ela agrega para relaxar. Ela tem muitas recordações de viagens, porque eu não me privo de ter essas lembranças. Uma das coisas que mais gosto é bem pequena, é meu leãozinho do Palatnik. Meus pais eram do Lions e ganharam essa obra, que é de um artista que amo.

Uma casa tipicamente brasileira tem que ter janelas abertas, vegetação entrando, madeira, mistura de estampa e cores para dar alegria. Nosso povo fala muito dessa forma, com um sorriso no rosto e alegria. Isso é uma casa típica.

CAP #20 PEDRO MASSUCO, SOUTH ARQUITETURA

Sempre gostei de criar coisas, de pôr a mão na massa. Tinha uma fase que eu estava bem instigado em ir para a engenharia, mas acabei indo para arquitetura, onde me identifiquei mais, pelo poder de criatividade, de pensar e criar. Se tivesse em outra profissão não teria acertado tanto.

Uma casa de arquiteto tem seu próprio estilo, contando um pouco da história do morado e do escritório. Ela é uma casa que nunca tá pronta, que é feita pra testar. Ela não tem necessidade de ser um projeto fechado. É sempre aberto, para modificar, refazer, diferente do que é feito para um cliente.

Muitas ideias saíram daqui de casa e foram replicadas. Tem uma coifa de teto que eu desenvolvi por questões de custos e saiu barato. Ficou ótima!

Meu lugar favorito é a parte superior, que é onde convivo com meus amigos, nos divertimos. Envolve várias áreas, tem churrasqueira, horta, parte externa. É um espaço que uso muito e gosto de aproveitar. 

Uma casa brasileira não pode deixar de ter design. Na verdade ela pode ter o que ela quiser, mas acho que o design engloba tudo. Principalmente a forte personalidade do brasileiro.

CAP #21 RENATA TROGGIAN, QUADRIARQ

A arquitetura surgiu ao acaso, quando ainda criança eu brincava com a minha sócia de construir coisas na imaginação. Ela dizia que seria engenheira, porque o pai dela era, então eu escolhia a arquitetura. Quando chegou a hora do vestibular, foi meio que automático.

A casa de um arquiteto tem experimentos que na casa do cliente a gente não tem liberdade para praticar. Por exemplo, descasquei a parede na obra, tijolo ficou à vista, não gostei, mandei passar cal, depois pintei e hoje chegou em um resultado que eu adoro. Outra coisa foi o piso de madeira, eu não queria ter um limitador na área da cozinha, então conseguimos manter esse aconchego integrando os espaços do living e hoje já replicamos a ideia em projetos. 

Aqui em casa não temos nenhuma peça que seja a preferida, o que dá alma pra ela é o conjunto dos móveis e adornos que fomos herdando ao longo da construção. Temos muita memória afetiva aqui dentro e acho que isso é que dá aconchego. 

Eu me apaixonei por essa casa desde a primeira vez que a vi. Ela é de 1939, foi uma das primeiras a serem construídas no loteamento da Vila Assunção. Foi feita pelo mesmo arquiteto que desenvolveu o Farol Santander. Uma curiosidade: dizem que Saint-Exupéry se hospedou aqui por uma noite.

Acho que a casa brasileira não pode deixar de ter elementos naturais, que remetem à ancestralidade e origem. A madeira é um elemento que não pode faltar, ela tem esse peso de simbolizar o ancestral ao mesmo tempo que tem aconchego. O uso de rochas e pedras também é interessante. E a relação entre o externo e o interno também é bem forte, ter uma vista bacana, conseguir viver o externo mesmo estando dentro. Poder vivenciar o dia de chuva, de sol, acho bacana.

CAP #22 ELEN E DUDA MAURMANN, ARQUITETURA NACIONAL

Elen:

Quando eu era pequena, adorava arrumar meu próprio quarto. Lembro que uma vez achei um papel quadriculado e fiz um layout. Não cresci com referências da áreas, meus pais eram professores e não havia nenhum amigo que fosse da arquitetura. Hoje eu entendo a arquitetura como algo que precisa ter a essência das pessoas, dos negócios.

A nossa casa começou quando a gente queria ter um filho, então pensamos em como era a casa em que nossos avós viviam e conversamos com nossos pais pra ter uma referência melhor. Decidimos projetar um pequeno edifício para todos morarmos juntos, no mesmo prédio, cada um com o seu apartamento. Depois de muitas conversas toparam. A casa do arquiteto é uma grande experimentação, esse prédio é um grande experimento. 

Vários objetos importantes carregam memórias. Temos muita planta, cada uma com a sua história. Uma delas, que eu quero levar para o resto da vida e temos desde o casamento, é a árvore da felicidade. No nosso primeiro ano ela morreu e tivemos que cortar na base, então todos os dias eu cuidava dela, conversava mesmo. Até que um dia ela começou a brotar de novo e foi a única vez em que ela sofreu nesses 18 anos. Onde a gente for, a gente leva ela junto. 

 

Duda:

Essa casa de arquiteto é diferente do que as pessoas imaginam. Não somos afeitos aos espaços montadinhos, com tudo se encaixando. Vamos criando uma história ao longo da nossa vida

Pretendo seguir trabalhando, tocando até o resto da vida com um ritmo mais leve, como fazem os bons arquitetos. Não é nos anos de faculdade que se aprende arquitetura, é no tempo depois, que tu vive a profissão, em que ela se desenvolve. Cada vez mais as soluções vão se repetindo e isso ajuda a contar melhor o que é o projeto.

 

Ambos:

Certamente nosso espaço preferido é a sala, integrada à cozinha. Tudo acontece aqui, é onde passamos nossas maiores experiências. É onde brincamos com nosso filho. Os quartos são para descanso, então é aqui que nos juntamos para ver filme, ver ele jogar, brincar. Aqui é onde a grande vida da casa acontece. 

Em uma casa brasileira, não pode faltar plantas, porque as plantas são habitantes da casa e elas dão vida, é isso que tem que ter sempre, muita vida.

Também não dá pra ser brasileiro e não fazer café. Acho que é um hábito forte que temos aqui. O dia não começa sem um cafezinho.

CAP #23 LUANA FERNANDES, ARQUIDEIAS

A arquitetura não chegou de forma romântica na minha vida. Quando chegou o momento de escolher o curso eu estava com muita duvida, pensando em medicina, que não tem muito a ver comigo. Aí surgiu a minha irmã, como um anjo, com a ideia da arquitetura. Sempre gostei dessa coisa de comprar material, de tudo que era artístico. Hoje tenho certeza que escolhi o caminho certo.

Engraçado que as pessoas sempre comentam sobre essa casa ser de arquiteto. Acredito que sim, quando tem a mão do arquiteto, a casa tem um olhar especial para os elementos, as texturas, a espacialidade. A gente nota que tem algo especial. Na casa de um arquiteto, a gente sempre deixa espaços pra fazer mutação e aproveita isso para por ideias na nossa casa e deixar rolar essa mutação. 

Adoro mudanças, minha sala por exemplo, é toda em mobiliário solto, permitindo que essa mutação que vá acontecendo. Uma poltrona vai pra lá, um vaso aparece. Eu não sou louca das plantas, mas adoro ter o contato, trazer para casa e cuidar delas, conversando com o mobiliário. Já troquei tudo, quartos, tapetes…

Acredito em casas para vida real, autênticas, para serem usadas. A minha é feita para sentar, deitar e comer, ela é feita pra usar. Se eu for olhar o rolo da minha câmera tá repleto de fotos aproveitando os momentos aqui. Ela é o marco de lembranças importantes com a família, então é meu lugar favorito. Tem uma cadeira na sala que é parte de um conjunto e desmembramos, ela é toda delicada, nem é propriamente para sentar, mas conta a história de uma pessoa que amamos muito e também narra a história do apartamento em si.

Uma casa tipicamente brasileira é feita pra vida real, seja aqui dentro ou pra quem é de fora. É uma casa acalorada, receptiva, que convida pra se aproveitarem dela.