Casa de arquiteto, nossa nova série no YouTube

Para celebrar nosso aniversário, lançamos duas séries que te aproximam de renomados profissionais. No YouTube, arquitetos gaúchos abrem suas casas e compartilham suas referências. No Spotify, designers brasileiros falam da força de nossa identidade. Em nosso novo manifesto, reafirmamos um compromisso com a brasilidade. 

CAP #01: MAURICIO CEOLIN, AT ARQUITETURA

Eu sou do interior e sempre tive muita conexão com desenho, artes, música, mas lá profissões assim não faziam parte do repertório de um jovem. Na época do vestibular, reuni todas as habilidades e entrei na arquitetura. Para minha sorte, era bastante diferente do que eu imaginava. 

Quando eu olho para o meu espaço, vejo que ele tem verdade. Na minha casa eu ponho em prática coisas em que eu acredito, do jeito que eu acredito. A liberdade nos permite um pouco mais de ousadia e acaba sendo um grande lugar de teste. 

Se tem algo que diferencia o brasileiro é a adaptabilidade. Casas brasileiras precisam encorpar essa característica para acompanhar a vida plural e intensa da nossa gente. Se relacionar com o entorno também, oferecer beleza para que mora ou só passa na frente. 

CAP #02: NATASHA VONTOBEL, TELLINI VONTOBEL

A arquitetura começou na minha vida quando eu nasci. Literalmente. O escritório já vem de três gerações, minha vó é engenheira, minha mãe  arquiteta, então desde pequena eu já passeava pelos canteiros de obras e imaginava uma carreira assim.

Pela prática e vontade de descobrir, minha casa é um lugar singular. Vou cansando, vou trocando, e tudo muda completamente. Um projeto formal não oferece tanta margem pra mudar o tempo todo, então eu transfiro essa energia para o meu ambiente, e isso traz segurança. 

Eu sou a maníaca do mobiliário brasileiro. Garimpo, estudo, só consumo peças que tem um apelo forte e reafirmam nossa identidade. Isso não pode faltar em casas brasileiras, definitivamente. Se posto em melodia, é a bossa nova! 

CAP #03: ANA COLNAGHI, STUDIO COLNAGHI

É difícil dividir arquitetura com o resto da vida. Um arquiteto está sempre observando, absorvendo… Acredito que observando minha família acabei absorvendo esse interesse. Meu pai dividia comigo a rotina do escritório e os papeis, canetas e lápis estimulavam a criança em mim. 

Meu apartamento é um laboratório. A casa de família virou um também. Já experimentei neles muitas ideias e materiais, pra entender como se comportam, como se desenvolvem. E em ambos, tenho reservado mais espaço para o acaso, uma margem pra mudar com o tempo. 

Aconchego é a essência de uma casa brasileira e arrisco dizer que é a madeira que traz esse elemento vivo, essa naturalidade. Somos artesanais, manuais, gostamos do envolvimento pessoal e é assim que mantemos viva nossa essência dentro de casa. 

CAP #04 SABRINA HENNEMANN, STUDIO COLNAGHI

A arquitetura não é nem um pouco monótona. Pelo contrário, ela é dinâmica, permite conciliar um pensamento técnico minucioso e uma abordagem emocional. Desde jovem, eu observava familiares combinando agilidade e criatividade e a curiosidade aguçada virou profissão. 

Isso é também uma das características que mais curto em meu apartamento: saio da zona de conforto para experimentar técnica e sentimento. Combinações que quero testar na prática e observar como se comportam na luz, com o passar do tempo. 

Acho que a casa brasileira é muito representada pela combinação de texturas, principalmente as naturais. Em diferentes volumes e repetições, podemos criar combinações infinitas e propor espaços atemporais, onde o elemento dispensa ornamentos e eleva a arquitetura.

CAP #05 ANA CASTAGNA, 0E1

Na hora de brincar, eu gostava mesmo era de montar  todo o circo e normalmente já estava cansada quando a casinha ficava pronta. Gostava de analisar plantas, compreender os espaços e acredito que a arquitetura foi chegando em minha vida assim, aos poucos. 

Em minha casa não falta coragem, é isso que define uma casa de arquiteto. Em nossas próprias paredes, nós testamos, subvertemos o padrão e entendemos como as coisas envelhecem. Uma casa de arquiteto envelhece bem. 

Quando tento resumir o que define uma casa brasileira, sinto que nossa alegria é interpretada com muita cor, e isso transparece em ambientes multi-coloridos. A madeira, a vegetação, definitivamente tem um papel importante, que a cor costura.  

CAP #06 INGRID STEMMER, STEMMER RODRIGUES

Posso voltar nas memórias da infância e lembrar do impacto que os espaços tinham sobre mim. Na quarta série, a professora apresentou o conceito de plantas baixas e a ideia da casa vista de cima me fascinou. A partir daí, bastava entrar em um lugar para querer melhorá-lo. 

Minha própria casa é uma eterna mutante. Na verdade, compramos um generoso flamboyant para morar embaixo e vamos mudando nosso lar conforme novos projetos provocam nossa visão. Brinco que o chão já foi trocado tantas vezes e tantos papéis ou texturas já foram testados que, se acontecer uma escavação aqui, vai parecer Pompéia. 

Imersos em uma flora abundante, quase nos acostumamos à conexão que as casas brasileiras tem com a natureza. Anos atrás, recebemos intercambistas em casa e o impacto da vegetação neles foi surpreendente, ficavam horas contemplando o jardim. 

CAP #07 IZABELA PAGANI, IZABELA PAGANI ARQ

Meus pais são paisagistas e cresci vendo o trabalho deles transformar o entorno da arquitetura. Acabou sendo natural que eu seguisse esse caminho, mas enquanto eles olhavam atentos para o exterior, resolvi direcionar minha carreira para os interiores. Das casas e das pessoas. 

Como profissionais, nós buscamos como ninguém conhecer a origem, o conceito e o desenvolvimento de cada peça. É isso que faz com que a gente se apaixone por elas. Minha casa é assim, uma coletânea que eu admiro. Não trocaria meu apartamento por nada. 

É na varanda que me conecto com a identidade de uma casa brasileira. Falamos de tropicalismo, estamos inseridos em uma cultura próxima da natureza, por isso a vegetação é, para mim, o que sintetiza nossos espaços. Na varanda de casa, em meio ao verde, eu me encontro. 

CAP #08 JOÃO PEDRO CRESCENTE, AMBIDESTRO

Eu não me imagino fazendo outra coisa, desde que me conheço por gente repetia que queria ser arquiteto. Sempre fui uma pessoa observadora, amante das plantas baixas, do conceito abstrato do espaço antes dele ganhar forma. Manipular isso é minha paixão. 

Aqui em casa, vivo experimentando. Testo possibilidades que, depois, vou indicar. Minha casa ainda está em desenvolvimento, talvez sempre estará, mas sinto que a experiência mais gostosa é a gente ter a casa inteira como o espaço favorito, oportunizando diferentes sensações. 

Nossos lares são diversos, tem de tudo, mas em equilíbrio. Essa é uma característica das casas brasileiras. Elas prezam pelo conforto, pela amplitude, sem abrir mão da funcionalidade e da praticidade. Tudo fala em um tom mais baixo, e a conversa é agradável. 

CAP #09 LUCAS MARQUES, MAPA

É muito difícil dissociar arquitetura da minha história pessoal. Meu avô foi arquiteto, meus pais são arquitetos, tios, primos… sempre vivi imerso nesse mundo. Por natureza, a arquitetura tem um âmbito cultural e estético que permeia tudo que fazemos, é mais que uma profissão.

Às vezes, a casa de um arquiteto é uma espécie de expressão das pequenas coisas que constituem seu senso estético ou ideologia. Gostamos muito de colecionar, de tudo um pouco. E aqui olhamos pro passado, mas carregamos isso no desenho de nosso futuro. 

Temos uma relação muito honesta com a natureza, com o entorno. Nossas casas tem varandas, modernas ou contemporâneas. Temos espaços ventilados, apreciamos a iluminação natural, a organicidade. Estes são, para mim, elementos da sintaxe cultural brasileira. 

CAP #10 LUCIANO TESTON, STUDIO TESTON

Minha primeira opção era artes plásticas, mas quando entrei na arquitetura me apaixonei pela relação da especialidade, do vazio e do cheio. Arquitetura e arte caminham juntas, o vazio do desenho é o espaço que percorremos, que nos apossamos no projeto. 

Arquitetura é uma relação de fazer para o outro, então, na minha própria casa, ouso fazer para mim. É um espaço mutante, não um lugar estanque. Está em movimento e é bom frisar que nem sempre a casa de um arquiteto é a arquitetura que ele faz para o cliente. 

Aqui sempre tem café. Alegria e aconchego também, isso é a casa brasileira. Tem que ter natureza, mas acredito que não sejamos isolados a determinados clichês. Ver fronteiras como permeáveis e a brasilidade como algo do mundo abre horizontes. 

CAP #11 MARCELO SEFERIN, SEFERIN ARQUITETURA

Meu pai sempre foi muito atento à construção dos projetos, mesmo sendo médico, tanto na área da saúde quanto nos lugares pessoais da família. Acho que a vontade pela profissão nasceu, ainda que indiretamente, dessa observação, da admiração pelo lugar que planejávamos. 

Qualquer lugar se diferencia pela forma como a história das pessoas é representada, por isso não penso que a casa de um arquiteto seja muito diferente da casa de qualquer outra pessoa. Inclusive, já absorvi referências que os clientes trouxeram e hoje compõe meu lar. 

A casa brasileira tem, necessariamente, um vínculo com a área externa. Trazemos para dentro materiais típicos lá de fora, nos conectamos com a vegetação e transgredimos um pouco os limites. Isso representa muito nossa identidade. 

CAP #12 CAMILA SANGUINÉ, HB INTERIORES

Minha mãe sempre se dedicou muito à família e desde cedo eu acompanhei ela nas tarefas. Puxei dela esse gosto por cuidar da casa, do jardim, então acredito que essa influência veio da vivência que compartilhamos. Sobretudo com interiores, que é onde atuo hoje.

Sempre que estou usando a casa, minha própria casa, eu gosto de compreender detalhadamente cada experiência. Nas tarefas mais rotineiras, observo como as pessoas absorvem o momento, como o cotidiano se traduz em praticidade. A soma disso resulta no meu trabalho. 

O Brasil é um país regional, mas focando no ambiente que nos cerca, que é frio e tem estações bem marcadas, não pode faltar aconchego. A madeira cumpre esse papel, com cores e texturas muito ricas, em revestimentos, mobiliário, acabamentos. Não pode faltar. 

CAP #13 NIVIA VITTORE, NV ARQUITETURA

Eu não brincava de casinha de um jeito normal. Nos fundos de casa havia uma tecelagem e eu lembro de pular o muro para trazer lenhas, vassouras e peças para formar minha própria planta baixa. Era real, tinha janela, porta, cama e mesa… só podia dar em arquitetura. 

Gosto de quebrar a rigidez e organizar os ambientes de uma forma distinta na minha própria casa. Tem bons móveis, tem peças de design, mas a intenção de acolher bem e mudar, evoluir com a família, é sempre maior. 

Nossa sala familiar acontece ao redor do fogo, seja na lareira, churrasqueira ou fogão a lenha. Em diferentes abordagens, com variadas interpretações, considero que essa relação com o calor, com o alimento, é algo muito típico de nossas moradias. 

CAP #14 EMILIA RIEGEL, NV ARQUITETURA

A arquitetura foi uma feliz casualidade. No tempo do vestibular, antes até da internet, eu li um livro de profissões e vi descrito nas atividades de um arquiteto tudo que eu mais gostava de fazer. Eu adorava criatividade como exercício e acabou se tornando uma escolha óbvia. 

Sempre brinco que esse negócio de ‘em casa de ferreiro o espeto é de pau’ não está certo. O arquiteto precisa demonstrar amor pela casa e no meu cantinho é onde essa relação de afeto começa. Me cerco de tudo que tem a ver comigo, que conversam com minha identidade. 

O que não pode faltar em uma casa brasileira? Luz! Ela destaca, acolhe, revela… a luz natural traz energia pra um espaço e não pode faltar no nossos projetos. 

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Acreditamos que beleza traz paz. Transmitimos paixão através do design. Contamos histórias, conectando quem faz e quem admira. Valorizamos o design brasileiro, que também é do mundo, mas que acima de tudo é uma experiência individual de simplicidade e aconchego. Isso é brasilidade!