#PODCAST: Luan Del Savio

Luan diz que cria peças com gingado. Segundo o próprio, nas suas mãos a elegância se veste de simplicidade pra que o design seja plural. Ele é formado em desenho industrial e especialista em engenharia da produção e é por isso que a racionalidade fica bem evidente na madeira que ele dá forma. Já foi finalista de premiações como Casa Vogue e Salão de Design e, recentemente, conquistou o Brasil Design Award com a cadeira Emi, produzida pela San German.

 

Qual lugar do mundo um admirador de design precisa conhecer? 

Acho que cada profissional precisar ir pra Milão, porque é a referência mundial em termos de design.

 

Um clássico de design que você admira? 

Eu gosto da poltrona Diz, do Sérgio Rodrigues.

 

Que livro você gostou de ler e por que você recomenda ele? 

Geometria do design é muito interessante. Guestalt do objeto é necessário pra quem está nessa área. E também A história do móvel moderno do Brasil. Acho interessante pra ter um panorama do que aconteceu com o mercado brasileiro.

 

Qual é o teu lugar preferido no Brasil? 

Eu gosto de viajar bastante, mas o meu lugar preferido é minha casa. Eu sou muito caseiro, gosto de estar na minha cidade, com os meus amigos.

 

Um perfil de Instagram que você gosta muito? 

Eu gosto do @designinsiders, acho legal que mostra várias peças, um conceito minimalista.

 

Uma mania para começar a trabalhar de manhã? 

Eu sempre faço chimarrão antes de começar a trabalhar. A minha família é gaúcha, então os hábitos ficaram.

 

 

Natural de Santa Catarina, Luan Del Salvio começou ainda na infância os primeiros desenhos. O Habito, herdado da mãe, colocava nos papéis personagens de desenhos animados preferidos e representações dos amigos. No ensino superior, o curso de design industrial foi a escolha. Hoje, Luan é uma figura reconhecida no cenário do design nacional, finalista em premiações da Casa Vogue e Salão de Design. Recentemente conquistou o Brasil Design Award com a cadeira Emi, produzida pela San German.

A trajetória do designer começou com a realização de projetos em uma fábrica de eletrodomésticos. Foi nela que Luan aprendeu e entendeu como a produção da indústria acontece. Essa vivência foi importante para desenvolvimento de suas próprias criações. Com um portfólio recheado de projetos, não demorou para conseguir se inserir no mercado de mobiliário. Sua primeira grande parceria foi com a San German, onde foi convidado a fazer parte do grupo de designers.

Ele define seu trabalho como simples, mas racional. “Precisa ter conectividade, essa conexão com a pessoa. Quem vai comprar a minha peça ou a minha arte, não vai comprar por ser só mais um produto. Ela precisa ter afetividade extraída da peça. Criar algum tipo de emoção que a pessoa vai se sentir bem usufruindo”, comenta. Ele destaca a sua busca pela geometria, aliada à combinação da organicidade da peça com a madeira e o metal.

Foi a forma de ver, pensar e construir suas peças que levou Luan e a cadeira Emi ao prêmio Brasil Design Awards em 2020. Como uma síntese de suas ideias e filosofia sobre o uso do material, a Emi se destaca pelo nível de detalhamento em sua composição, com o máximo de aproveitamento  sobre o material. A inspiração para a cadeira veio da sua cidade, cheia de árvores ipês. Os galhos finos e elegantes, que mais parecem desenhos, foram a base para o projeto. Embora seja reconhecida, a peça não é a sua única preferida. Alguns dos seus primeiros projetos, como a cadeira Rio, tem um espaço no coração do artista.

O processo de desenvolvimento das peças é trabalhoso, detalhista, com produções levando até doze meses para chegar na forma final. Esse procedimento cauteloso respeita o tempo necessário para que os projetos amadureçam no papel, se aprimorem nos protótipos em tamanho real e alcancem o ápice em sua forma, cores e linhas no resultado final.