Gege Pedrosa

Quem vê a arte do artista plástico Gegê Pedrosa, 49 anos, facilmente se surpreende. O preto que cobre as esculturas traz nuances de uma superfície suave, polida ao redor das curvas de animais como arraia, gato, borboleta, peixes. Algumas, apresentam seis tipos diferentes de marrom – todos derivados do material usado. É que as esculturas de Gegê são feitas de nada mais, nada menos do que madeira, ora marchetada, ora laqueada. Mas sempre madeira, sua nova paixão.

Nem sempre foi assim, contudo. Ao se lançar no mundo artístico aos 19 anos, Gegê flertava com outros elementos. Primeiro, começou pelo desenho e a pintura para, depois, se encontrar nas esculturas tridimensionais. “Comecei trabalhando com concreto e chapas de aço. Madeira foi de quatro anos para cá e me apaixonei pelo material”, relembra o artista. No processo de criação das estruturas, é usada laca automotiva para dar o brilho negro às artes.

“Faço a captação da madeira e boa parte dela é reciclada, que eu pego de demolições. Trato, faço o bloco, vou colando e prenso. É uma técnica milenar, muito antiga, mas pouco explorada aqui na região. Já vi pessoas fazendo objetos tipo caixinha, mas esculturas mesmo não conheço”, explica Gegê. Dos tipos de madeira que usa, ele cita pinho, maçaranduba e ipê.

“Como uma criança brincando de carrinho”, como ele mesmo define, o artista costuma esculpir sentado ao chão, cercado por seus materiais. Frida, a gata que lhe inspira a esculpir tantos felinos, está sempre atenta. “Trabalho com gato, tubarão, esqueletos de peixe meio surrealista. Minha inspiração é mais animais marinhos, eles têm um movimento incrível que me atrai. Mas estou descobrindo o gato agora, as máscaras, as faces. Estou diversificando”, conta Gegê, que não se prende a coleções e deixa as ideias fluírem. “São aleatórias, mas às vezes faço uma série de esculturas de madeira laqueada e outra série de madeira natural. 

Fonte: Folha de Pernambuco